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ETMA e FSUMinho: engenharia em movimento

15 Julho, 2026 No Comments

A ligação entre a indústria e a universidade ganha expressão concreta quando o conhecimento sai da sala de aula, entra na fábrica e se transforma em soluções reais. Foi isso que aconteceu na parceria entre a ETMA e a FSUMinho, a equipa de Formula Student que representa a Universidade do Minho e que está a desenvolver o seu primeiro protótipo 100% elétrico.

Mais do que um apoio técnico à construção de componentes e à soldadura do chassis, esta parceria tornou-se uma oportunidade de aprendizagem prática para os estudantes, permitindo-lhes acompanhar processos industriais, receber feedback técnico especializado e aproximar o desenvolvimento académico das exigências reais do setor metalomecânico. Para a ETMA, é também uma forma de contribuir para a formação de talento, reforçando a proximidade entre o tecido industrial e as futuras gerações de engenheiros.

DA UNIVERSIDADE PARA A PISTA

A FSUMinho nasceu em 2021 com o objetivo de representar a Universidade do Minho na Formula Student, uma competição universitária internacional em que equipas de estudantes concebem, projetam e constroem um protótipo automóvel.

No caso da equipa minhota, o caminho começou com ambição, mas também com os desafios naturais de uma estrutura recente. Em 2023, a FSUMinho tentou construir o seu primeiro protótipo, mas ainda não reunia as condições necessárias para o fazer de forma completa. Como recorda Nuno Costa, Líder da Equipa, “não tínhamos nem as instalações, nem os apoios necessários” para concretizar o projeto de início ao fim.

A resposta passou por uma reestruturação profunda. Na época 2024/2025, a equipa reorganizou-se, reforçou áreas técnicas e de gestão e passou de cerca de 15 membros para aproximadamente 72 estudantes, distribuídos por diferentes cursos. Esta diversidade tornou-se uma das forças do projeto, juntando competências de engenharia mecânica, eletrónica e outras áreas essenciais ao desenvolvimento de um protótipo competitivo.

“Somos um projeto que tem de garantir continuidade”, explica Nuno Costa, sublinhando a importância da passagem de conhecimento entre membros mais experientes e novos elementos da equipa. Hoje, enquanto parte dos estudantes trabalha no protótipo atual, outros já preparam as bases para o próximo ciclo de desenvolvimento.

UM PROTÓTIPO ELÉTRICO, DESENVOLVIDO E CONSTRUÍDO NO MINHO

Desde a sua fundação, a FSUMinho assumiu como objetivo desenvolver um protótipo 100% elétrico, alinhado com a evolução do setor automóvel e com o próprio contexto da competição em Portugal. Um projeto com uma dimensão territorial particularmente relevante, ao tratar-se do primeiro protótipo deste género a ser integralmente desenvolvido e construído na região do Minho, resultado do talento académico da Universidade do Minho e da colaboração com entidades parceiras do tecido industrial.

Na Formula Student, as equipas podem competir em diferentes classes. A Classe 2 permite participar com protótipos digitais, sendo avaliadas competências como engenharia, design, dimensionamento, gestão de recursos e gestão financeira. Já a Classe 1 envolve protótipos físicos, sujeitos a provas dinâmicas como aceleração, skidpad e endurance, onde a performance tem de ser equilibrada com fatores como eficiência energética e segurança.

Para a FSUMinho, chegar ao protótipo físico representa um marco. O projeto traduz a capacidade de transformar conhecimento académico em engenharia aplicada, com decisões técnicas que têm impacto direto no comportamento, na segurança e na fiabilidade do veículo.

O APOIO DA ETMA NUM COMPONENTE CRÍTICO: O CHASSIS

A aproximação à ETMA surgiu por recomendação de um professor da Universidade do Minho, que já conhecia a empresa no âmbito de visitas ligadas à área da mecânica. A equipa reuniu presencialmente com a ETMA, apresentou as suas necessidades e encontrou, desde o primeiro momento, abertura para colaborar. “Fomos recebidos de braços abertos”, recorda Nuno Costa, sublinhando a disponibilidade demonstrada perante os desafios técnicos que a FSUMinho trazia para a mesa.

A parceria entre a ETMA e a FSUMinho começou então em 2024, com o apoio na soldadura de componentes do primeiro chassis. Mais tarde, devido a alterações regulamentares, a equipa teve de rever o design e voltar a trabalhar sobre esta estrutura fundamental.

Nesta nova fase, a colaboração foi reforçada. A ETMA apoiou a equipa não só em processos de soldadura, mas também na produção de componentes associados ao chassis, envolvendo operações como calandragem, corte a laser e quinagem. Tratou-se de um contributo particularmente relevante para uma zona crítica do protótipo: a estrutura que suporta os diferentes sistemas e garante a segurança do piloto.

Nuno Costa é claro sobre a importância deste apoio: “Podemos ter a parte de eletrónica toda pronta, mas se não tivermos o nosso chassis, a nossa parte estrutural bem feita, não conseguimos ter a performance que queremos.”

O chassis assume, por isso, uma dupla função. Por um lado, é a base estrutural do protótipo. Por outro, é um elemento determinante para a segurança e para a correta montagem dos vários sistemas do veículo, incluindo componentes mecânicos, eletrónicos e a bateria de alta tensão.

QUANDO A INDÚSTRIA AJUDA A RESOLVER O IMPREVISTO

Um dos momentos mais exigentes da colaboração aconteceu quando a FSUMinho identificou a necessidade de alterar um aspeto do design já numa fase avançada do projeto. A modificação era complexa e implicava intervir diretamente no chassis.

Segundo Nuno Costa, foi necessário “cortar o chassis quase ao meio e voltar a soldar direito”, uma operação sensível, que exigia rigor, controlo dimensional e capacidade técnica. O apoio da ETMA foi decisivo para que a equipa pudesse corrigir o problema e continuar o caminho rumo às inspeções técnicas.

“Se não fosse o auxílio da ETMA, nós provavelmente iríamos competir com o protótipo e não iríamos passar nas inspeções técnicas”, afirma o Líder da Equipa. Estas inspeções são uma etapa essencial antes de qualquer prova dinâmica, avaliando se o veículo cumpre os requisitos de segurança definidos pelo regulamento, desde a componente mecânica até aos sistemas eletrónicos e à bateria de alta tensão.

O contributo da ETMA permitiu, assim, reduzir risco, corrigir uma limitação crítica e reforçar a confiança da equipa numa das áreas mais sensíveis do protótipo.

APRENDER COM A INDÚSTRIA, PARA PROJETAR MELHOR

Para os estudantes, a parceria com a ETMA trouxe uma dimensão que dificilmente se alcança apenas em contexto académico: a possibilidade de acompanhar processos industriais reais.

Como a Universidade não permite à equipa realizar determinados processos de soldadura internamente, o contacto direto com a ETMA tornou-se uma oportunidade de aprendizagem prática. Os membros da FSUMinho puderam acompanhar o trabalho, observar metodologias, compreender constrangimentos de fabrico e perceber como é que o rigor dimensional é garantido em estruturas complexas.

“Temos oportunidade de conhecer a realidade da indústria e os diferentes tipos de processos”, refere Nuno Costa. Para a equipa, este contacto é uma mais-valia porque permite transformar feedback técnico em melhorias futuras de design.

Entre as competências desenvolvidas, destacam-se o dimensionamento, o desenho técnico, a compreensão dos efeitos da soldadura nas dimensões finais e a importância de dispositivos de posicionamento, como gabaritos (Jigs), para assegurar precisão geométrica. São aprendizagens que ajudam os estudantes a projetar peças mais ajustadas à realidade da manufatura, sem comprometer a performance.

“O curso é a base fundamental, mas é esta oportunidade de feedback e de prática que nos faz aprender um pouco mais”, sublinha Nuno Costa. “E isso também nos destaca quando entramos no mercado de trabalho.”

UMA PARCERIA QUE VAI ALÉM DO PATROCÍNIO

A FSUMinho conta atualmente com cerca de 60 entidades parceiras, entre instituições e empresas industriais. Mas, para Nuno Costa, a palavra certa não é apenas patrocínio.

“O que gosto sempre de dizer é que é uma parceria, não é um patrocínio”, afirma. “O nosso objetivo é construir um protótipo, mas é também formar as futuras gerações que vão entrar no mercado de trabalho.”

Esta visão resume bem o valor da proximidade entre universidade e indústria. As empresas ajudam a tornar o projeto possível, mas também contribuem para a formação técnica, profissional e humana dos estudantes. Ao mesmo tempo, os alunos aproximam-se do contexto empresarial, conhecem processos, equipas, metodologias e exigências que serão determinantes na sua entrada no mercado de trabalho.

Para a ETMA, apoiar a FSUMinho é participar ativamente neste ecossistema de conhecimento aplicado. É colocar experiência industrial ao serviço de um projeto académico exigente, ajudando jovens talentos a transformar ideias em soluções concretas.

RESULTADOS QUE ABREM CAMINHO AO FUTURO

A evolução da FSUMinho já se reflete nos resultados alcançados. Na época anterior, ainda em Classe 2, com protótipo digital, a equipa conquistou o 3.º lugar na classificação geral, o 2.º lugar numa das provas estáticas e venceu a prova de Cost & Manufacturing, onde são avaliadas dimensões como gestão de recursos, custos, processos de fabrico e impacto ambiental.

A sustentabilidade tem vindo, aliás, a ganhar espaço no projeto. Este ano, a equipa testou uma nova abordagem para a produção dos moldes da carroçaria, recorrendo à impressão 3D. Ao contrário dos moldes em MDF, que exigiam mais tempo de fabrico e não podiam ser reutilizados da mesma forma, os moldes impressos podem ser triturados e transformados novamente em filamento, reduzindo desperdício e acelerando o processo.

“Correu bem, por isso é uma implementação que vamos efetuar daqui para a frente nos futuros protótipos da equipa”, explica Nuno Costa.

Ainda assim, a equipa assume uma filosofia de simplicidade para este primeiro protótipo físico. A prioridade é consolidar conhecimento, validar soluções e criar uma base sólida para evoluções futuras, incluindo a ambição de desenvolver, num próximo ciclo, tecnologias associadas à condução autónoma.

O calendário competitivo reforça a importância desta fase para a FSUMinho. A primeira competição com o protótipo físico está prevista para decorrer entre 19 e 24 de julho, em Castelo Branco, seguindo-se a participação na Alemanha, de 11 a 16 de agosto, sendo este um marco especialmente relevante por representar a primeira presença internacional da equipa.

Depois de, na época anterior, ter competido em Classe 2, com protótipo digital, a FSUMinho prepara-se agora para levar para a pista o resultado de um percurso exigente de desenvolvimento, aprendizagem e colaboração com parceiros industriais.

ENGENHARIA COM IMPACTO NO TERRITÓRIO

A parceria entre a ETMA e a FSUMinho demonstra como a ligação entre empresas industriais e projetos académicos pode gerar valor em várias dimensões. Para a equipa universitária, representa acesso a conhecimento técnico, capacidade produtiva, acompanhamento especializado e contacto direto com a realidade industrial. Para a ETMA, é uma oportunidade de apoiar talento emergente, contribuir para a inovação regional e reforçar o seu papel enquanto parceiro técnico capaz de acompanhar projetos exigentes.

No fundo, esta colaboração mostra que a engenharia se constrói tanto com conhecimento como com proximidade. Com quem projeta, com quem produz, com quem ensina e com quem aprende.

E é precisamente nessa interseção entre academia e indústria que nascem projetos capazes de ir mais longe. No caso da FSUMinho, ir mais longe significa levar para a pista um protótipo elétrico desenvolvido por estudantes. Para a ETMA, significa continuar a aplicar o seu conhecimento industrial onde ele pode fazer diferença: do projeto ao produto, mas também da formação ao futuro.

À FSUMinho, a ETMA deixa votos de muito sucesso. Que este protótipo leve para a pista não só engenharia, mas também o talento, a dedicação e a ambição de uma nova geração.